Única prefeitura do Estado do Rio de Janeiro a contratar diretamente Inteligência Artificial aplicada à radiologia, Volta Redonda completa quase um ano de projeto com a tecnologia presente em três hospitais e duas unidades de pronto atendimento
A transformação digital da saúde deixa de ser apenas uma perspectiva de futuro quando a tecnologia passa a fazer parte, todos os dias, do atendimento à população.
Em Volta Redonda (RJ), esse movimento acaba de alcançar um novo marco: mais de 80 mil exames de imagem já foram processados com o apoio das soluções de Inteligência Artificial da HarpiAI na rede pública municipal de saúde.
Iniciado em setembro de 2025, o projeto completa doze meses de operação no próximo dia 15 de setembro de 2026 e vem ampliando progressivamente sua presença na rede. Atualmente, a tecnologia está integrada à rotina de cinco unidades estratégicas do município, três hospitais municipais e duas unidades de pronto atendimento.
Mais do que o volume alcançado, o projeto se destaca pelo modelo adotado. Volta Redonda é a única prefeitura do Estado do Rio de Janeiro que já realizou a contratação direta de uma solução de Inteligência Artificial aplicada à radiologia, incorporando a tecnologia ao fluxo assistencial para apoiar a análise dos exames, a triagem e o direcionamento dos pacientes.
O resultado demonstra como uma cidade que abraça a inovação e a incorpora de maneira responsável aos seus serviços públicos pode transformar tecnologia em benefício concreto para profissionais de saúde e para a população.
A marca de 80 mil exames em quase um ano é especialmente relevante porque demonstra que a Inteligência Artificial deixou de ocupar apenas o espaço de projetos experimentais ou provas de conceito.
Em Volta Redonda, ela passou a fazer parte da operação diária das unidades.
A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a HarpiAI, healthtech brasileira especializada em soluções de Inteligência Artificial para apoio ao diagnóstico por imagem. As ferramentas funcionam como uma segunda leitura computacional, realizando automaticamente mensurações, detecções, classificações e análises que complementam a interpretação realizada pelos profissionais de saúde.
Recentemente, o projeto ganhou uma nova etapa com a implantação da tecnologia no CAIS Conforto, que se tornou a segunda unidade de pronto atendimento do município a utilizar a solução.
A expansão é particularmente importante porque leva o apoio da IA justamente para ambientes nos quais tempo, volume de atendimentos e capacidade de priorização são fatores críticos.
Na prática, o funcionamento acontece de maneira integrada ao fluxo das unidades.
Após a realização do exame, o estudo é encaminhado automaticamente para processamento pela plataforma da HarpiAI. A análise computacional é realizada em poucos minutos e seus resultados são disponibilizados à equipe, oferecendo informações adicionais para apoiar a avaliação do caso.
No caso das radiografias de tórax, por exemplo, a solução pode identificar alterações como opacidades pulmonares, nódulos, derrame pleural, pneumotórax, alterações da área cardíaca, fraturas de clavícula e arcos costais, enfisema subcutâneo e dispositivos de suporte. A ferramenta também permite categorizar os exames de acordo com a prioridade dos achados identificados.
Esse processo cria uma camada adicional de informação dentro da rotina assistencial.
Em uma unidade com grande volume de pacientes, em vez de depender exclusivamente da ordem cronológica dos estudos, a equipe passa a contar também com uma sinalização automatizada dos exames que podem apresentar alterações relevantes.
A IA, portanto, não substitui o médico, não determina isoladamente uma conduta e não elimina a necessidade de avaliação clínica. Ela funciona como uma ferramenta de apoio capaz de contribuir para que profissionais identifiquem mais rapidamente os casos que merecem atenção prioritária.
Os dados acumulados ao longo dos onze primeiros meses ajudam a dimensionar a importância desse recurso.
Entre os mais de 80 mil exames processados:
Isso significa que mais de dois terços dos exames processados apresentaram algum achado classificado entre prioridade moderada e alta pela IA.
Em serviços de urgência, pronto atendimento e hospitais com grande demanda, essa estratificação pode contribuir diretamente para a organização do fluxo, permitindo que a equipe tenha mais uma informação para direcionar sua atenção.
É justamente nesse ponto que a adoção de Inteligência Artificial pela gestão pública ultrapassa o conceito de modernização tecnológica: a tecnologia passa a atuar diretamente como apoio à assistência e à organização do cuidado.
Ser a única prefeitura do Estado do Rio de Janeiro a já contratar diretamente Inteligência Artificial aplicada à radiologia coloca Volta Redonda em uma posição diferenciada no processo de transformação digital da saúde pública.
Mas o principal destaque não está simplesmente em ser pioneira.
Está em demonstrar que é possível transformar inovação em uma ferramenta operacional, escalável e integrada à realidade do SUS.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET), Sérgio Sodré, alcançar a marca de 80 mil exames demonstra justamente essa consolidação:
“Chegar a 80 mil exames processados demonstra que estamos falando de uma tecnologia que deixou de ser apenas um projeto de inovação e passou a fazer parte efetivamente da rotina da cidade. Volta Redonda vem mostrando que é possível utilizar Inteligência Artificial no serviço público de forma prática, responsável e com benefício direto para a população. A ampliação para uma nova unidade reforça nosso compromisso de utilizar a tecnologia para tornar os serviços municipais cada vez mais eficientes.”
A experiência mostra também a importância da participação do poder público no processo de inovação em saúde.
Quando uma cidade está aberta a testar, validar e incorporar novas tecnologias de maneira estruturada, cria-se um ambiente no qual inovação, gestão e assistência podem evoluir conjuntamente.
Além do apoio individual na avaliação dos exames, a utilização da IA em escala permite observar padrões relacionados à própria demanda das unidades.
Nos dois meses mais recentes do projeto, por exemplo, foi identificado um crescimento de quase 20% na ocorrência de achados relevantes, especialmente em radiografias de tórax.
O aumento ocorreu paralelamente à chegada do inverno, período tradicionalmente associado à maior incidência de condições respiratórias.
Segundo Daniel Vital, diretor da HarpiAI, essa capacidade acrescenta uma nova dimensão ao uso da tecnologia:
“Nos últimos dois meses detectamos um crescimento de quase 20% no número de exames com achados relevantes, principalmente nas radiografias de tórax. É uma variação importante observada justamente com a entrada do inverno, período em que naturalmente aumenta a demanda relacionada a condições respiratórias. Além do apoio individual na análise de cada exame, a tecnologia permite gerar informações que ajudam a compreender melhor o perfil dos atendimentos e a preparar as unidades para essas variações de demanda.”
Dessa forma, além de apoiar o profissional diante de um exame específico, os dados gerados ao longo do tempo podem contribuir para uma visão mais ampla sobre o comportamento da demanda assistencial.
Para a secretária municipal de Saúde, Dra. Márcia Cury, a importância da ferramenta está justamente em oferecer mais um recurso às equipes, especialmente nos ambientes de urgência e emergência:
“Em uma unidade de saúde, principalmente nos serviços de urgência e emergência, tempo e capacidade de priorização são fundamentais. A Inteligência Artificial acrescenta uma ferramenta de apoio à nossa equipe, ajudando na triagem dos exames e sinalizando aqueles pacientes que podem demandar uma avaliação prioritária. Isso contribui para organizar melhor a rotina das unidades e otimizar o tempo dos profissionais, sempre mantendo a decisão clínica sob responsabilidade da equipe de saúde.”
Esse é também um princípio fundamental para a HarpiAI: Inteligência Artificial e profissionais de saúde não são elementos concorrentes, mas complementares.
A tecnologia assume atividades computacionais, identifica padrões, organiza informações e oferece uma segunda leitura, enquanto a interpretação do contexto clínico, a tomada de decisão e a condução do paciente permanecem sob responsabilidade dos profissionais.
Para a HarpiAI, participar dessa trajetória demonstra aquilo que buscamos desde o desenvolvimento das primeiras soluções da empresa: fazer com que a Inteligência Artificial saia do campo da promessa e esteja efetivamente integrada à medicina diagnóstica, apoiando profissionais e contribuindo para uma assistência mais ágil, organizada e segura.
Os 80 mil exames processados representam, portanto, muito mais do que um indicador de utilização. Representam milhares de atendimentos nos quais os profissionais tiveram uma ferramenta adicional de apoio. Representam uma cidade que decidiu incorporar inovação à sua rede pública. E representam um exemplo concreto de como a Inteligência Artificial pode ser utilizada de maneira responsável para fortalecer o cuidado em saúde.
Volta Redonda abraçou a tecnologia. E, em quase doze meses, já começa a demonstrar em escala o que acontece quando inovação e saúde pública avançam juntas.